Futuro do Ao Vivo

Para falar do mercado ao vivo no contexto pandêmico e sobre o seu futuro é importante pensar que temos diversos pontos de vista para analisar, mas vou listar três pelos quais vou discorrer um pouquinho aqui

Opa, tudo bom? Fui convidado pelo incrível pessoal do Sala de Estar para falar um pouquinho do mercado ao vivo e as perspectivas (ou a falta delas) para o futuro. Ah, meu nome é Ygor e eu sou um dos sócios do Selo Rockambole, já trabalhei com alguns artistas no gerenciamento de suas carreiras como: O Grilo, Scatolove, Dingo Bells, Léo Ramos, PLUMA e Supercombo. E é mais ou menos isso, bora direto pro assunto.

Para falar do mercado ao vivo no contexto pandêmico e sobre o seu futuro é importante pensar que temos diversos pontos de vista para analisar, mas vou listar três pelos quais vou discorrer um pouquinho aqui: Equipes Técnicas envolvidas no processo, Casas de Show que estão vazias e sem poder lucrar e Artistas que estão sem shows.

Já estamos vendo diversas casas de show fecharem as portas, só aqui em São Paulo podemos citar o Z, Unimed Hall (Credicard Hall), Centro Cultural Rio Verde, Casa do Mancha e diversos outros que estão lutando para manter as suas portas abertas como a Casa de Francisca. A ausência desses espaços é uma perda enorme para a cultura da cidade e essa cena se repete pelo Brasil inteiro. O futuro deste ponto de vista pode parecer muito nebuloso, principalmente com a deficiência do nosso plano nacional de vacinação que não possibilita uma previsão de volta das atividades. Com um pensamento mais otimista podemos prever que com a possível volta das atividades em algum momento entre o fim deste ano e o começo de 2022 teremos um mercado bastante aquecido com alta demanda de eventos, o que pode aumentar as oportunidades para aberturas de novas casas e até a volta de alguns destes nomes para o circuito. Mas tudo isso é meramente especulação da minha parte, ainda é muito difícil prever o que acontecerá principalmente por ainda não conseguimos saber o tamanho do prejuízo que será gerado até o fim desta pandemia.

As equipes técnicas não vivem um momento fácil, muitos profissionais dessas áreas estão tendo que reinventar completamente o seu jeito de trabalhar para poder sobreviver. Alguns poucos ainda conseguem viver de lives e pequenos jobs pontuais que ainda aparecem, mas muitos ficaram sem renda. Sem dúvida esses profissionais foram os mais impactados por essa pandemia. Um futuro impacto deste acontecimento no futuro do mercado pode ser a ausência de profissionais qualificados em diversos pontos do país, pois alguns destes profissionais podem encontrar soluções mais estáveis e não retornarem a trabalhar com o nosso mercado. Neste caso, os impactos mercadológicos ainda são ínfimos se comparados ao que estas pessoas estão tendo que lidar, então não poderia de deixar aqui a iniciativa do Backstage Invísivel que está ajudando muitos destes profissionais. É só seguir aqui o Instagram deles pra saber como ajudar: https://www.instagram.com/backstageinvisivel.

Agora e os artistas? A reinvenção também fez parte deste universo, uma vez que todos os processos digitais viraram as principais ferramentas de comunicação, apresentação e disseminação de arte. O streaming virou protagonista no fluxo de receita dos artistas, então foi momento de se reinventar na internet para conseguir diminuir o buraco que tem sido a ausência de shows. Aqui na Rockambole a gente tem investido muito na criação de comunidades, estamos tentando ao máximo manter uma proximidade com as pessoas, mesmo como toda essa distância. Os desafios são muitos, mas as nossas opções são poucas nesse momento. Então temos mergulhado cada dia mais no digital, criando ações, inovando em lançamentos e aprendendo todo dia algo novo sobre a imensidão de coisas que a internet pode ser. De um óculo otimista é legal pensar que muitos processos foram facilitados e otimizados com a necessidade da digitalização o que agilizara muito as coisas no retorno as atividades. Pensar no futuro é muito incerto, então uma maneira de sobreviver a tudo isso é se desenvolver no digital, reinventar os processos de criação pensando neste panorama que estamos vivendo, porque fazer alguma coisa vai ser muito melhor do que sentar e esperar isso passar e é possível fazer isso tudo sendo responsável com a sua saúde e a saúde dos outros envolvidos.

Acho que pra concluir é importante lembrar que todos esses profissionais e muitos outros que estão envolvidos neste mercado foram impactados dura mente com tudo que está acontecendo e tenho certeza de que todos estão lutando pra se manter ativos da maneira que podem. Com o esboço de uma retomada parcial dos eventos nos Estados Unidos os artistas, técnicos, casas e todos os profissionais da indústria do show business estão circulando algumas regras que podem ser muito legais de ler. Vou encerrar compartilhando essas diretrizes com vocês! Muito obrigado ao Sala de Estar pelo convite e espero ter contribuído com algo neste texto.

REGRA #1: Sem lista amiga. Compre o ticket – esses profissionais estão sem trabalhar há 13 meses.

REGRA #2: Apoie a cena local.

REGRA #3: Use máscara.

REGRA #4: Ninguém é babá de ninguém. Todo mundo sabe como se comportarem pandemia.

REGRA #5: Sem drinks grátis.

REGRA #6: Se possível, dê uma gorjeta para o/ a bartender.

REGRA #7: Apoie de todas maneiras – financeiramente, nas redes sociais, escutando as músicas…

REGRA #8: Seja gentil nesse retorno.

REGRA #9: Dê uma olhada na lojinha de merchan.

REGRA #10: Se divirta. Você esperou muito por isso.  

por Ygor Aléxis

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